A PRIMEIRA MULHER NEGRA A CONQUISTAR UM PHD EM FÍSICA NUCLEAR

“Se você está aqui, uma porta se abriu para você. O que acontece a gora é função do que você faz” – Shirley Ann Jackson.

 

Shirley Ann Jackson nasceu em 05 de agosto de 1946, em Washington – DC, desafiou muitas barreiras raciais e de gênero para se tornar a primeira mulher negra a conquistar um PhD em física nuclear pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (mundialmente conhecido como MIT), a ser chefe da Comissão de Regulamentação Nuclear (NRC) dos Estados Unidos, presidente do Instituto Politécnico Rensselaer (RPI), a receber a Medalha Nacional de Ciências e contribuir para grandes avanços da área de telecomunicações. Reconhecida pela Revista TIME como exemplo máximo em ciência, sua história esteve perto de ser diferente devido a preconceitos sofridos.

 

Seus pais, Beatrice e George Jackson, valorizavam muito a educação e a encorajavam a ir para a escola. Seu pai a apoiava e incentivava seus interesses pelas ciências, auxiliando em seus projetos. No ensino médio, na Roosevelt High School, Shirley teve aulas de aceleração em matemática e ciência e formou-se como oradora da turma, antes dos alunos da mesma idade, em 1964. No mesmo ano começou as aulas no MIT, sendo uma das quase 20 estudantes afro-americanas e a única estudando física teórica . Se formou em 1968, com um estudo sobre física do estado sólido. Enquanto estudava, fez trabalho voluntário no Boston City Hospital e deu aulas particulares no Roxbury YMCA.

 

Jackson foi aceita em Brown, Harvard e na Universidade de Chicago, mas decidiu ficar no MIT para desenvolver seu trabalho de doutorado com o objetivo de incentivar mais estudantes afro-americanos a frequentar a instituição. Concluiu seu Ph.D. em 1973, sendo a primeira negra a obter um doutorado no MIT. Desenvolveu seu trabalho sobre teoria das partículas elementares, e sua tese, “O Estudo de um Modelo Multiperiférico com Unitariedade Cruzada Continuada”, foi publicada no Annals of Physics em 1975.

 

Durante a década de 1970, foi estudante de pós-doutorado em partículas subatômicas e conduziu pesquisas em prestigiados laboratórios de física, nos Estados Unidos e na Europa. Em 1974, se tornou cientista-visitante no laboratório de aceleração do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear, o CERN, na Suíça. Lá, explorou teorias de partículas elementares de forte interação. Em 1976 e 1977, lecionou física no Stanford Linear Accelerator Center e tornou-se cientista visitante no Aspen Center for Physics.

 

No ano de 1976 ingressou no Departamento de Pesquisa em Física Teórica da AT&T Bell Laboratories. Em 1978, fez parte do Departamento de Pesquisa em Física de Espalhamento e Baixa Energia e, em 1988, foi para o Departamento de Pesquisa em Física Quântica e Estado Sólido. No Bell Labs, Jackson explorou teorias de ondas de densidade de carga e as reações de neutrinos, um tipo de partícula subatômica, contribuindo para o conhecimento de outras áreas, como ondas de densidade carregadas em compostos em camadas, aspectos polarônicos de elétrons na superfície de filmes de hélio líquido e propriedades ópticas e eletrônicas de super redes semicondutoras de camada deformada. Suas pesquisas em física teórica e as aplicações da física para promover os avanços nas pesquisa em telecomunicações que permitiria que outros inventassem o fax portátil, o telefone de tom, as células solares, os cabos de fibra ótica e a tecnologia por trás do identificador de chamadas e da chamada em espera.

 

Recebeu diversas bolsas de estudo, como Martin Marietta Aircraft Company Scholarship e Fellowship, Prince Hall Masons Scholarship, National Science Foundation Traineeship e Ford Foundation Advanced Study Fellowship. Entre 1980 e 1982 foi presidente da National Society of Black Physicists (Sociedade Nacional de Físicos Negros), foi eleita para a American Physical Society e, em 1985, foi nomeada para a Comissão de Ciência e Tecnologia de Nova Jersey. Na década de 1990, recebeu o Prêmio Thomas Alva Edison de Ciência por suas contribuições à física e pela promoção da ciência e, além disso, ainda foi ativa em vários comitês da Academia Nacional de Ciências.

 

De 1976 a 1991, foi nomeada professora de física na Rutgers University e em 1995, foi nomeada chefe da Comissão Reguladora Nuclear, pelo presidente Bill Clinton. Em 1999 foi presidente do Rensselaer Polytechnic Institute; Em 2001, foi eleita membro da National Academy of Engineers; Em 2003, foi presidente da Associação Americana para o Avanço da Ciência.

 

Entre os anos de 2009 a 2014, fez parte do Conselho de Consultores de Ciência e Tecnologia do Presidente e do Comitê Consultivo de Inovação e Tecnologia do Presidente. Foi do Conselho Consultivo de Segurança Internacional do Secretário de Estado dos Estados Unidos entre 2011 e 2017 e do Conselho Consultivo do Secretário de Energia dos Estados Unidos entre 2013 e 2017. Em setembro de 2014, foi nomeada pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, como co-presidente do Conselho Consultivo de Inteligência do Presidente, onde atuou até janeiro de 2017. Em 2016, foi homenageada com um dos prêmios de mais prestígio do país, a Medalha Nacional de Ciências, conferida por Barack Obama.

 

Ela compôs outros conselhos, como do Fórum Econômico Mundial dos Estados Unidos, no Conselho de Relações Exteriores e em corporações como FedEx e IBM. Com mais de cinquenta títulos de doutorado honoris causa, recebeu prêmios como o Vannevar Bush, do National Science Board e a Medalha Nacional de Ciência.
Seu trabalho, pesquisas e o conhecimento em física permitiram inúmeros avanços na área de telecomunicações como o fax portátil, telefone com toque sonoro, células solares, cabos de fibra óptica, tecnologia por trás da identificação de chamadas e da chamada em espera. Até os dias de hoje, Jackson continua com seus esforços para ajudar minorias a terem mais oportunidades nas escolas e na ciência. Nos últimos 15 anos, trabalhou de perto com uma escola independente na cidade de Nova York, chamada Harlem Academy, que oferece educação rigorosa para estudantes de baixa renda da primeira à oitava série.

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